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EJACULAÇÃO PRECOCE:
Superando a dificuldade pelo reaprendizado*
Psic. Marcelo Toniette
A ejaculação precoce é uma
disfunção sexual da resposta sexual masculina que ocorre na fase
de orgasmo. Acomete principalmente indivíduos no início da vida
sexual, embora também seja queixa de homens de outras faixas
etárias que a desenvolvem em determinada situação ou com
determinada parceira. O Diagnostic
and statistical manual of mental disorders caracteriza a
ejaculação precoce como o “início persistente ou recorrente
de orgasmo e ejaculação com estimulação mínima antes, durante
ou logo após a penetração e antes que o indivíduo deseje”.
A
ejaculação precoce não está relacionada apenas ao tempo que o
homem leva para ejacular, como se acreditava quando o diagnóstico
era definido pelo tempo mínimo do intercurso. Chegou-se, por
exemplo, a aceitar um tempo de 15 segundos. Hoje temos uma
compreensão mais ampla de sexualidade e, além da ansiedade de
desempenho, consideramos que outros aspectos intra e
inter-pessoais estão intimamente relacionados com o processo
ejaculatório.
Conforme
o modelo trifásico da resposta sexual proposto por Kaplan, essa
disfunção apresenta-se nas seguintes formas: ejaculação
precoce primária – caso de homens que apresentam
ejaculação precoce desde as primeiras tentativas de coito; ejaculação
precoce secundária – caso de homens que apresentam
ejaculação precoce após um período de funcionamento sexual
eficaz; e ejaculação
precoce situacional – caso de homens que apresentam
ejaculação precoce com determinada parceria ou situação.
A
disfunção está relacionada a uma inibição adquirida por
condicionamentos durante uma situação aversiva e desagradável
associada a uma resposta sexual. Situações
que dificultam o aprendizado da percepção das sensações que
antecedem a ejaculação fazem parte do treino para a formação
de ejaculadores precoces, como uma educação repressora e
negativa em relação ao sexo; jogos sexuais em que a ejaculação
rápida é vista como viril e valorizada, como no caso de
competição de masturbação em grupo; medo de alguns homens de
serem surpreendidos e punidos no ato masturbatório, seja pelos
pais ou por estranhos; relação sexual realizada em local que
não propicie a privacidade e o relaxamento estimulando a rapidez
da relação, como no banco traseiro do carro, ou em um cômodo
enquanto os pais estão em outro. Desta forma, os níveis
específicos de privação sensorial originam-se do medo e
apreensão diante de situações sexuais, da negação da
identidade sexual pessoal, da rejeição da parceria ou da
circunstância do encontro sexual, ou da ausência da consciência
sexual decorrente do cansaço físico ou emocional. Deve-se
também considerar a preocupação do homem de fazer sexo de um
modo “certo”, ou de fazer com que a parceira atinja o prazer,
forçando-se a fazer sexo sem a disponibilidade necessária.
Prolongados períodos de abstinência sexual, disfunção sexual
feminina, dificuldades gerais no relacionamento, comportamento de
crítica ou rejeição, ressentimento não manifesto são outras
formas de dificultar o controle ejaculatório e, deste modo, o
prazer.
Embora cause sofrimento psicológico para o homem e sua parceria,
gere ansiedade, medo do fracasso, evitação de contatos que
envolvam intimidade e ser potencial causa da disfunção eretiva
secundária de origem psicogênica, a ejaculação precoce é uma
disfunção sexual das mais fáceis de serem
tratadas.
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(*)
Edição de parte do capítulo homônimo publicado pelo autor em:
INSTITUTO PAULISTA DE SEXUALIDADE., org. Aprimorando a saúde sexual: manual de técnicas
de terapia sexual. São Paulo, Summus, 2001. pp.201-215. |
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